Na era da informação, não fazer propaganda é a alma do negócio

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No último dia 8, o músico inglês David Bowie surpreendeu a todos com o lançamento de um novo single – Where Are We Now? – e a notícia de que lançará um álbum em março, intitulado The Next Day. Foi um choque. Afinal, ele não só não lança nada há dez anos, como não havia sequer um boato de que um novo trabalho estava sendo produzido – muitos acreditavam que Bowie, recluso, enfrentava algum tipo de doença terminal e todos só voltariam a ouvir falar nele no dia em que morresse. Não.

Bowie estava bem, e passou os dois últimos anos trabalhando no novo disco com um seleto time de pessoas, todas forçadas a assinar um contrato de confidencialidade. Entre elas, estavam o empresário de Bowie, Bill Zysblat, o produtor Tony Visconti, os guitarristas Earl Slick e Jerry Leonard, o baterista Sterling Campbell, e não mais do que dois técnicos de som que eram autorizados a ficar no estúdio The Magic Shop, no bairro do SoHo, em Nova York, enquanto Bowie gravava ali o seu novo álbum. Tanto cuidado para que a novidade não vazasse valeu a pena. Bowie, mais uma vez, mostrou que sua genialidade não foi embora com os anos, e conseguiu, em pleno século 21, em que tudo – de catástrofes naturais a almoços de famosos – vai parar no Twitter em questão de microssegundos, guardar a sete chaves um dos melhores segredos da música recente. Em menos de 12 horas, Where Are We Now? já ocupava a primeira posição nos mais vendidos do iTunes. E Bowie, que passara dez anos sumido do noticiário musical, de repente se tornou o artista mais relevante de 2013, com o disco e a (possível) turnê mais aguardados do ano.

Para o presidente da Sony Music (gravadora de Bowie) no Brasil, Alexandre Schiavo, a ação é fruto de um esquema de marketing que visa potencializar a importância do lançamento — em alguns casos, beirando a supervalorização. “Certamente tem muito planejamento por trás. Uma bomba dessas repercute de forma extremamente positiva nas mídias sociais”, diz. Porém, alerta, esse método não funcionaria com qualquer um. “O jeito tradicional de se lançar um disco é ‘esquentar’ o mercado antes, fazer barulho e criar interesse. Não fazer nada e esperar que as pessoas vão atrás somente da música só pode ser feito com um artista já estabelecido, com uma boa base de fãs. Eles podem se dar ao luxo de dizer para o fã: ‘olha, eu não vou te encher o saco com informação antes. Vou te dar exatamente o que você quer, que é a música’”, diz o presidente da Sony.

Fonte

Por Adm Gabriel S’

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